5 de dezembro de 2017

Quanto tempo.

Querida psiquiatra,


Você falou com um cérebro cansado hoje. Você deve ter percebido, pelas lágrimas e pela saída abrupta da sua sala. Um cérebro cansado e farto. Farto de buscar explicações, farto de engolir sapos, farto de ouvir gente que sabe tanto no diploma e tão pouco na vida. Farto de opiniões mal-colocadas, farto de ser rebaixado à segunda classe a vida inteira, farto de precisar fazer o impensável para se fazer ouvir. Você não estava interessada em me ouvir hoje. Você não viu um cérebro cansado na sua frente, ou pior, um ser humano cansado. Você viu mais um paciente, um nome, um número. Não me deu a chance de explicar ou de ter uma opinião sobre o que estava acontecendo na minha cabeça. Eu não tinha estudado pra isso, você disse. Eu precisava me esforçar mais, você concluiu. Eu precisava aprender com a vida e o meu caso não era de medicamentos, você sentenciou. Que petulância era a minha, do alto do meu diploma de ensino médio, questionar os médicos que me trataram? Todos não podiam estar errados. E não estavam. Não foi isso que eu disse. Disse o que não funcionava pra mim. Mas você não estava interessada em saber. Estava mais interessada em por a menina arrogante que se autodiagnostica pelo Google em seu devido lugar. Pois bem. Você falhou. Pegou palavras de frases soltas de uma conversa de dez minutos e formou na sua cabeça quem estava na sua frente. Você estava disposta a ignorar qualquer coisa que eu falasse depois da frase “Eu vi uma palestra e me identifiquei.”. Porque, se fosse assim, não precisariam existir médicos, como fez questão de afirmar, novamente, com um lembrete de meu histórico acadêmico – que não incluia um bacharelado em medicina. E de acordo com a sua leitura, era assim que eu pensava. Mas, novamente, você estava errada. Você comparou a minha vida de fracassos e tarefas inacabadas com a sua motivação de ir na academia. “É algo que eu sempre vou ter que me esforçar pra querer fazer, é a mesma coisa.” Adivinha: você errou de novo. Não é a mesma coisa. Veja, eu posso não gostar de fazer exercícios, ou de matemática ou de ter que pegar ônibus. O fato de a necessidade estar ali demanda que eu o faça. Porém, não ter controle sobre sua vida, ou suas finanças, ou seus compromissos, ou seus relacionamentos, tudo ao mesmo tempo, passando dias e noites ansiosas com vergonha e culpa, não é falta de esforço. E você perdeu uma ótima oportunidade de ficar quieta nessa hora. Mas eu vou te dar um desconto: você não chegou a ter todas as informações necessárias pra ter esse conhecimento sobre a minha vida. Mas aí, de novo, você não teve porque não me deixou falar. Porque deixou bem claro que a sua intenção era de rebater, e não de ouvir. Pois bem. Eu fiz o melhor que eu podia fazer por mim. Eu deixei aquela sala antes de ouvir outra besteira. Lesada e envergonhada, mas eu consegui sair. Mas sabe, eu entendo. Você devia estar se sentindo cansada, mal paga, frustrada por não conseguir ir na academia toda semana. E não gostou do que eu disse, ou do que achou que eu disse. Talvez tenha sido um mau dia. Eu tampouco conheço você. Mas você segura uma grande responsabilidade nas mãos. Tudo o que eu gostaria que você soubesse, que você sentisse, é que você falhou. Você não é Deus. Aprendeu muito pouco aquele que acha que não precisa aprender mais nada, ou que existem fontes certas de aprendizagem. Você pode aprender até com o seu cachorro enquanto corre no parque, se estiver disposta. Você podia ter aprendido mais sobre mim, antes de falar o que você pensava com toda a certeza ser a verdade. Hoje você falhou comigo, mas Deus não pode falhar, por isso eu aprendi com você também. Eu precisei arranjar mais um motivo pra não me condenar na minha cabeça, para não repetir o disco que dizia: “preguiçosa, desleixada, você sempre arranja uma desculpa, o problema é você.” Hoje eu precisei ser mais forte pra não deixar isso me consumir, e não vai. Eu ainda acredito em um tratamento, eu ainda acredito numa resposta, numa solução. Talvez eu esteja mais perto disso do que eu imagino. Pode não ser graças a você, mas existem outros. E eu ainda tenho fé.  

2 de janeiro de 2014

You're the one I love.

Eu gostaria muito de ser uma daquelas pessoas que têm tudo resolvido. Que sabem quem são, e o que querem, e onde estão. Que se sentem no caminho certo. Que sabem quem são as pessoas que amam e que as amam de volta. Que têm uma vida intensamente bela e são intensamente ávidos por buscar cada dia. Mas eu não sou eu não podia estar mais perdida. Meus planos parecer se perder numa cascata de pensamentos, de sentimentos, que eu nem sei bem da onde vêm. Tem sido difícil conciliar. As coisas já não passam aos meus olhos com clareza. E tudo que eu consigo pensar é que: eu quero ser feliz.
De todos os caminhos que eu tenho tentado trilhar pra chegar a isso, nenhum deu pra chegar até o fim. Eu não tenho certeza por onde ir pra chegar lá. E começo a acreditar que talvez seja verdade que a felicidade não é um lugar pra se chegar, ela é o caminho. E hoje, nesse momento, tudo pode começar a se transformar mágico. não porque é ano novo, ou porque algo fantástico aconteceu, aliás, aconteceu sim. Eu acordei hoje com todas as possibilidades do mundo. Eu não sou aquela pessoa que eu citei acima, mas nada me diz que eu não possa me tornar, e que talvez se eu parar de procurar qual é o lugar certo pra estar eu descubra que o lugar certo é aqui: o agora. É onde tudo se cria. E que eu só preciso ser feliz agora. Se eu sempre for feliz "agora", então não há futuro que faça eu me preocupar.
Acho que sim, eu estou no lugar certo.

26 de julho de 2013

But I'm Scared To Death, That There May Not Be Another One Like This.

Acho que desde o começo, bom, não desde que eu te conheci ou que decidimos ficar juntos – ali, naquele momento, eu não possuía medo nenhum – mas desde aquela conversa no celular, tarde da noite, onde tudo que eu precisava era saber que tinha encontrado alguém que estaria ali por mim, desde aquele momento em que minhas expectativas foram viradas completamente de cabeça pra baixo eu já não tenho me permitido ser completamente eu perto de você. Acredito que esconder a parte de mim que mais me dói tem me matado aos pouquinhos, tem se agigantado de uma maneira difícil de não deixar transbordar. E eu tenho passado pelos dias pensando como mudar, ou aliviar um pouco os efeitos colaterais que você deixa em mim.
Confesso não ter achado nenhuma resposta plausível. Nada que realmente me fizesse acreditar que adiantaria alguma coisa, porque as palavras continuam ali entaladas por mais que eu as tussa e cuspa em discussões onde você só consegue revirar os olhos. Prometi não fazer mais isso ser sobre você. A minha vida. Os meus sentimentos. Dessa vez acho que vou conseguir. E pra isso tenho que voltar até o lugar onde viramos na curva errada, não dá pra continuar indo tentando achar um desvio nessa mesma estrada, preciso voltar e tomar o caminho certo de lá. Mas acho que não sei mais voltar sozinha. E você se recusa a voltar comigo.
Sinto medo de o tempo passar. Das coisas avançarem. Mas não tenho tantos medos quanto já tive um dia. Hoje tenho mais esperança. E fé. E paz. E me conforta lembrar isso. São nesses pequenos momentos que eu acredito genuinamente não estar sozinha. Não posso estar, não estaria sequer em pé se assim fosse.
Eu não consigo caminhar pra frente porque tenho medo desse caminho que eu não queria pegar, e tenho medo de voltar porque sei que vou acabar me perdendo e também não sei onde iria dar. E isso me condiciona a ficar parada nos mesmos problemas e a me sentir presa, e essa sensação foi uma coisa que eu não tinha entendido... Até agora. 
Acredito que a única solução é se alguém vier me levar de balão. Levar o meu corpo, a minha visão e as minhas perspectivas lá para o alto pra enxergar melhor, pra ver se acho o caminho de casa. Mas eu sei, eu sei, não posso ver porque preciso crer, de todo o coração, que vai ficar tudo bem.

9 de maio de 2013

Eu já passei por muita coisa. Mesmo. Muitas delas  eu escrevi aqui ou pelo menos chorei em cima desse notebook enquanto aconteciam. Posso parecer dramática – e sou, e já fui muito mais – mas passei por coisas difíceis  coisas as quais eu não pensei realmente que superaria, que eu achei que me afundariam pra sempre. Mas mais uma vez eu estava errada. E como é bom estar errada nessas horas.

Gosto de imaginar que sou uma pessoa forte, que posso aguentar mais do que o mundo pode me atirar. E gosto de acreditar também que é por esse mesmo motivo que estou aqui. Talvez eu não esteja dando créditos o suficiente a minha evolução, e longe de mim tentar me gabar disso. Mas eu superei uma serie de problemas emocionais sérios, uma reclusão do mundo bem agressiva e uma dor que eu não pensei que curaria. Mas foi curada. Não por mim, mas pela minha vontade de ser, eu fui atendida.

E aqui estou em mais uma etapa da minha vida. Pensando no que tudo isso significa. Pensando como escrever é importante pra mim, e como eu desejaria que isso fosse mais fácil  Ainda tenho medo de escrever as palavras erradas mas vendo esse teclado na minha frente, ou ainda que fosse uma caneta ou um lápis ou um pedaço de carvão, as palavras parecem sair fluidas e fáceis das pontas dos dedos. Da ponta da língua  Transferir os meus pensamentos em palavras para um documento talvez não seja tao difícil assim, e talvez eu posso mesmo fazer o que eu quero. Se eu descobrir com certeza o que isso é realmente.

Bom, eu descobri o meu namorado. Ou ele me descobriu, não sei exatamente a ordem. Só sei que de um aspecto que eu totalmente não esperava foi fácil  Se encaixou. Ele simplesmente se tornou parte da minha vida e hoje eu dou graças a Deus por isso. Não precisou de tanto quanto eu imaginava, nem foi tao doloroso quanto pensei que pudesse ser. Conheci ele não hora certa, e ele me surpreendeu não salvando o meu mundo, mas o tornando um lugar ainda melhor. Era o que eu queria, no fundo.

E hoje, eu só espero que o resto flua assim: se encaixando, se encontrando, por mais intenso que seja o caminho, que tudo vá se destinando ao que tem que realmente ser. Sem o sofrimento de moldar algo dentro de um lugar que não é o seu. O meu coração já sabe onde está e já tem o que precisa: a felicidade e a paz de um Deus que está sempre comigo, em mente e vida.

12 de dezembro de 2012

Feliz.

Muito obrigada por tudo. Está sendo maravilhoso e vai ser melhor do que eu imaginava.

De verdade, muito, muito obrigada.

22 de novembro de 2012

Ser adolescente é bom, mas ser adulto é melhor.


Quase tomo a decisão de desistir de tudo isso. É difícil esse negocio. De se apaixonar, de ser alguém, de ser alguém de alguém. Sempre vai ter um motivo pra esperarmos mais um pouco, pra deixarmos pra lá, pra fazermos outra coisa primeiro que vai exigir e merecer mais de nossa atenção do que uma simples paixão efêmera que nos deixa bobinhas por uma ou duas semanas. Ou mais que isso. Mas não muito mais. Corramos atrás do prêmio de ouro, daquilo que mudará nossas vidas, que nos fará sentirmos pertencentes a algo grande e importante, quase uma extensão que somos do infinito que é o universo.
Coloquemos um ponto final nas incertezas adolescentes, nas atrações desmedidas, na vontade pura e descontrolada de esquecer o amanhã.
Se entregar somente a algo puro que valha o próprio esforço, algo que talvez não brilhe tanto de uma vez só, mas que seja uma luzinha que te mantenha certa de que há algo a que se agarrar.
E enquanto eu escrevo, me dou conta que não dá pra ser assim.
Choque de realidade.
Certas coisas não podem, não devem ser do jeito que a gente espera.
Precisamos aprender a pedir pelas coisas certas.
Preciso aprender a me afastar desse frio na barriga.
E enquanto eu escrevo, percebo não haver garantias, colocando nossos sonhos em pessoas ou não. Tudo é uma questão de arriscar. Nada está escrito. E nosso medo não muda esse fato: precisamos agir antes que seja tarde. Nem para que vire experiência. Nem que seja pra dizer que tentou, que seguiu o coração, ou na pior das hipóteses, pra dizer que quebrou a cara e que não vai fazer de novo. Cair também é aprender, e é por isso, essencial.
Nem que seja pra virar uma crônica.
Não há garantias.
Há apenas a vontade de criar para nós uma realidade que valha a pena ser vivida, atentemos a nossa mente, tudo que se cria, primeiro ali descansa. Onde está a sua paz?

13 de novembro de 2012

Por Favor.

Deus, me ajuda, tá difícil.